3ª Etapa do Circuito Brasileiro de Corridas de Montanha 2007

13 de Junho de 2007 @ 09:26 por Cleiton Heredia

São Sebastião – São Paulo – 10/06/2007

CAMPEONATO BRASILEIRO DE CORRIDAS EM MONTANHA

Nosso Campeonato Nacional de Corridas em Montanha sem dúvida é o ponto alto das Corridas de Montanha em nosso país. Com apenas cerca de 3 anos de atividades no Brasil (a primeira corrida de montanha no Brasil foi realizada no dia 30/05/2004 em Extrema-MG), a Corrida de Montanha já se desenvolveu ao ponto de ter seu próprio campeonato nacional assim como em países como Portugal, Espanha, Itália, entre outros, onde a Corrida de Montanha já existe a décadas. Aliás, este ano foi o 2º Campeonato Brasileiro, pois o 1º foi realizado o ano passado na cidade de Paranapiacaba-SP.

É impressionante ver como em tão pouco tempo as Corridas de Montanha no Brasil se estruturaram e se desenvolveram, e tudo graças ao idealismo e esforços de Fábio Galvão que com muita competência tem se empenhado por isto. Os reconhecimentos, inicialmente da Federação Paulista de Atletismo (FPA) e depois da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), oficializaram as Corridas de Montanha como um esporte atlético com regras bem definidas, e isto é muito bom para sua credibilidade como um esporte legítimo e não apenas uma louca aventura de meia dúzia de malucos suicidas.

No entanto, acredito que não irá demorar muito até que tenhamos a nossa própria Federação específica assim como a FEDME na Espanha (Federação Espanhola de Esportes de Montanha e Escalada), a FPME em Portugal (Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada), ou a internacional FSA (Federation for Sports at Altitude) com sede na Itália. Sei que o Fábio já tentou uma aproximação da CBME (Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada), mas parece que eles ainda não entenderam muito bem o que é a Corrida de Montanha e não se aperceberam do grande potencial por traz desta atividade legitimamente esportiva e montanhista.

Um outro fator que demonstra o reconhecimento que as Corridas de Montanha já possuem aqui no Brasil é o fato de desde o 1º Campeonato Brasileiro já contarem com o apoio e patrocínio oficial da Caixa Econômica Federal. Esta instituição financeira do governo federal que muito tem apoiado os esportes mais tradicionais, tem mostrado que possui visão de futuro ao investir em esportes inovadores como é o caso das Corridas de Montanha. O apoio das prefeituras onde as provas são realizadas também apontam para um reconhecimento que só quem trabalha sério conquista.

Bem, e quanto à corrida? Este é o tipo de pergunta que terá o mesmo número de respostas quanto o número de atletas participantes. Cada corredor vive sua experiência de forma exclusiva e intensa. Quanto se trata de corrida de montanha, dois corredores podem correr o tempo todo um do lado do outro, porém no momento de relatar sua experiência, teremos relatos tão distintos que até parecerá que participaram de provas diferentes. Não refiro-me aqui aos aspectos técnicos da corrida, pois estes, é claro, são iguais para todos. Refiro-me a maneira com que cada um assimila as dificuldades, supera os obstáculos, se encanta com os cenários, e vivencia cada passada rumo ao seu objetivo pessoal.

MAS E A CORRIDA? Tá legal, chega de filosofar! Vamos à corrida….

A corrida foi indescritível!

Valeu pessoal! Até Garopaba!

Cleiton Heredia
Mountain Runner
No Pain No Gain

UM BREVE RELATO DE FORTES EMOÇÕES

17 de Maio de 2007 @ 22:55 por LoboDaEstepe

CIRCUITO NACIONAL DE CORRIDAS EM MONTANHA -
SEGUNDA ETAPA - EXTREMA - MG 12.05.2007

Extrema, 12.05.07, 18:00 - Já estava totalmente escuro qdo largamos.Os primeiros1000 metros de prova foram pelas ruas da cidade.Uma apresentação dos aproximadamente 150 atletas para o público.Em seguida, tomamos a direção da serra.Eu, participando pela primeira vez desta prova, nem de longe imaginava as emoções que me aguardavam para as próximas horas. O Vander( meu companheiro de corridacategoria 20 a 24 anos),por ter participado da prova no ano passado, estava mais tranquilo. Eu por não saber o que me aguardava, procurei ficar mais sobre o meio dos atletas.Estava me poupando pois sabia que ia precisar de muita energia para o final.
Já no km 3, encontrei atletas caminhando.Uma subida em curva insuportável.Mas seguindo orientações do Vander, que me dizia: Evite caminhar, corra.. corra nos locais onde tem condições,pois vai chegar em certos pontos da trilha que são impossíveis de correr.
Então ganhe tempo onde dá pra correr. Seguindo sua orientação mantive um ritmo leve, mas correndo sempre. Nessa altura o Vander já tinha sumido dentro da serra. Passo pelo primeiro Ponto de Controle,pego um copo de água e sigo em frente.Derepente um
outro corredor, a uns 50 metros a minha frente grita: cobra a esquerda…imediatamente focalizei minhas lanternas naquela direção, e realmente lá estava ela.. só nos observando.
deveria estar imaginando.. quem são esses malucos que estão atrapalhando meu passeio noturno.. Ninguém ousou a agredi-la.. pois éramos nós os invasores. Susto passado,sigo em frente… sempre correndo.

O tempo ajudou bastante, pois não estava tão frio como esperávamos.Levava na minha mochila, 3 barras de cereal, 01 carbogel,uma toalha , uns trecos de primeiros socorros
e meu celular para uma emergência mais séria. A noite estava totalmente estrelada, mas sem a presença da lua, então dentro da mata , o breu era total fora do alcance das lanternas.Levava comigo uma lanterna de 8 led’s na cabeça e uma de mão de 12 led’s.
Nunca imaginei que apenas 3 pilhas palitos, fossem capazes de iluminar tanto e por muitas horas.

Jà fazia aproximadamente uma hora que eu estava dentro da trilha na mata fechada.Só subindo.Realmente havia pontos que era impossível correr.Passo por cima de pedras enormes,árvores caídas e riacho.Sempre seguindo os pontos marcados na trilha. Naquele momento estava completamento sozinho.Ninguém à minha frente,e os retardatários tinham ficado para trás. Meu maior medo era me perder.Sigo em frente, sempre correndo. Ainda dentro da mata, percebo a aproximação de outros corredores,fiquei mais
tranquilo. Meu frequencímetro marcava nessa hora 160 bpm, 01:44 min de prova.
Como teve pontos que fomos obrigados a caminhar, então deu para conversar com outros atletas.Foi qdo se aproximou de mim um atleta de SP, falando que sua lanterna tinha quebrado, e estava ficando sem iluminação. Eu estava previnido,além de ter levado duas lanternas, ainda tinha uma carga de pilhas de reserva, mas infelizmente o tamanho nao serviu para a lanterna dele,então passou a correr sob a iluminação das minhas.Ele corria pela categoria de 50 a 54 anos.Aqui abro um parênteses para falar sobre a idade dos atletas.Na minha categoria éramos 23 atletas(40/44) . Percebe-se que nesse tipo de prova, onde conta mais a resistência do que velocidade, a grande maioria dos atletas eram com idade acima dos 35 anos.
Voltando a prova, pensei comigo: este cara(muito gente boa por sinal) vai atrazar minha vida, pois meu ritmo naquele momento era mais forte do que o dele.Então emprestei minha lanterna de mão e fui
para frente.
Caí numa estrada de terra no meio da serra, e logo mais um outro posto de controle.Água,que alívio.. tava me sentindo com muita sede.
Nesta estrada, teve algumas descidas dentro da serra, então deu para relaxar o corpo e recompôr as energias.Nessa altura estava no km 16 da prova,e nem de longe imaginava o que me esperava nos próximos km .Pelo contrário.. achava que o pior já tinha
passado. Segui a estrada de terra que levava em direção a outra montanha, já com início de subidas.Passo pelo posto de alimentação.Nem parei,pois queria recuperar posições que havia perdido na trilha da mata. Correndo sempre, passo por mata-
burro( maior perigo naquela escuridão).Me deparei com uma porteira e um staff, indicando para subir beirando a cerca em direção a um pasto. Sempre subindo, me deparo com um morro de aproximadamente 800 metros.Nessa hora mais quatro atletas que estavam perdidos em outra trilha se juntam a mim.Eles reclamavam
muito da sinalização. Olhando para cima dava para ver as lanternas de outros atletas lá em cima, sumindo na escuridão. Não é a toa que esta trilha leva o nome de ” pasto da morte”. Só para resumir.
Levamos mais de 30 min para avançarmos cerca de 800 metros sobre a serra.Não tinha como ficar em pé. Literalmente nos arrastávamos s/ a trilha.Com caimbras vários atletas
iam parando.Esta parte foi a mais terrível para mim, e tb acho que para todos.Cheguei a perder o controle sobre mim por alguns segundos: Meu Deus o que estou fazendo aqui!!! Meu frequencímetro apontava 185 bpm,02:30 min de prova.Estava além do meu limite. Respiro fundo e volto a subir,sempre me arrastando pela encosta. A esta altura minha roupa estava totalmente molhada pelo suor,e tb pelo capim molhado onde estávamos nos arrastando. Como a noite nao estava tão fria, estava correndo com uma camiseta de m longa ,e uma regata por cima.Bermuda térmica,pamturrilheiras e uma meia
bem grossa. Meu tênis era apropriado para trilhas.Foi o que me ajudou bastante,pois onde outros atletas ficavam escorregando, eu passava sem maiores problemas. Enfim após 30 min., estávamos finalmente na parte mais alta da montanha. Dava para ver tudo lá de cima.A cidade lá longe toda iluminada.parecia que silenciosamente nos aguardava. Uma visão maravilhosa,mas como estava correndo
contra o tempo,não parei.
Agora entra aquele velho ditado: Tudo que sobe.. desce. então fui descendo.. correndo com certa cautela e chego ao último posto de água.Abasteço e continuo correndo, numa estrada de terra com muitas curvas dentro da mata.
Absolutamente sozinho a esta hora, ficava atento nas sinalizações para confirmar se estava no caminho certo. Lembram da largada? pois é.. foi uma descida enorme. É..mas agora teria que subir tudo
e isso me preocupava , e olha que eu ainda estava dentro da serra.
Estava feliz. muito feliz por estar completando a prova de corridas de montanha,considerada a mais difícil do Brasil. Não estava preocupado em qual posição iria chegar.Éramos aproximadamente 150 corredores e pelos meus cálculos, deveria ter à minha frente uns 40, mas isso não me importava. A satisfação de concluir uma prova dessas é indescretí
vel.Só vivendo isso para saber. Seu estado físico e psicológico no limite. A esta hora vc ja está pedindo por um milagre Divino.
A esta altura o Vander já havia chegado. Tinha me falado no início: Vou completar a prova e volto para te esperar na entrada da cidade.Dito e feito.Ao entrar na periferia de Extrema,
não só ele,mas tb duas viaturas da PM me aguardavam e me escoltariam até a chegada.
Mesmo correndo e com as pernas quase de arrasto, apanho o celular e ligo para minha namorada Débora: Prepare a câmera…. estou chegando…

Com a presença do Vander, correndo ao meu lado, impondo um ritmo mais forte,busco
o resto de forças para enfrentar a subida final.

Com 03:30:56 segundos, cruzo a linha de chegada,ficando na trigésima oitava posição no geral e nono na minha categoria. Estava muito feliz,pois tinha completado os 24km da prova mais difícil do circuíto de Corridas de montanha .

Obrigado meu Deus.. Obrigado a minha namorada pelo incentivo.Obrigado ao Vander pelo companheirismo. Obrigado a Carol e o Marcelo da Academia Oficina do Corpo pela minha preparação física. Obrigado a galera da loja, pelo apoio nos dias que antecederam
a prova.Obrigado ao Fábio e sua equipe, pelo Profissionalismo e respeito com que trata os atletas. Obrigado a mãe Natureza por ter me dado este privilégio. Foram 24 km,03:30
minutos de prova,que elevaram meu estado de ser.

**** O Vander completou a prova com 02:38 min.ficando em sexto
no Geral e primeiro lugar em sua categoria.*****

João Valentim

Corridas de Montanha - Extrema - 12/05/2007

17 de Maio de 2007 @ 22:19 por joao_faria

Eram 18 horas quando largamos. Tinha até a meia noite para correr até o outro lado daquela serra e voltar, senão não ganharia medalhinha nenhuma e aí… bem… aí, simplesmente seria o caos, seria o fim do mundo.

Como teria que correr mais de 22 Km, saí na miuda. Ainda me lembrava do corpo todo moído após a etapa de Paranapiacaba. Calculei que se conseguisse ir bem, até a metade do percurso, ou talvez até o Km 13 ou 14, sem perder o ânimo, continuaria o resto andando e isso seria suficiente para estar de volta antes do tempo limite imposto pelo regulamento.

Chegando no início da serra, vi que em alguns trechos a inclinação era muito forte. Nesses paredões, subi andando - haha, como quase todo mundo dessa parte do pelotão. Quando saimos da estrada e entramos em um single, alguns trechos eram abertos e outros bem fechados a ponto de não conseguir passar ninguém sem pedir para abrir. Havia muitas rochas e degraus de quase meio metro de desnivel.

Nessa altura alcancei um grupo, muito alegre, onde tinha uma pessoa sem lanterna (Mozart Rodrigues, que acabou chegando em segundo, na categoria 55-59). Mesmo assim, foi um custo passar os caras nessa escalada interminável. Eles eram muito rápidos no meio daquele mato fechado, dificil de se ver onde se estava pisando. Se eu ganhasse um real para cada tropeção, voltaria para casa de taxi de luxo, hehe.

O alto da serra foi um show à parte. O céu estava estrelado e a visão das luzes da cidade lá em baixo era espetacular. Saber que tinha chegado, no pique, até àquela altura e sentir o clima de todo o lance, foi de arrepiar. Lavou toda canseira.

Mas havia ainda muito chão pela frente e a descida requeria bastante atenção e cuidado. Meu único receio era torcer a canela, rolar pra dentro de algum buraco e perder tudo o que tinha conseguido até ali. Como estava me sentindo bem, desencanei e toquei em frente. No meio da descida, as pernas começaram a doer um pouco, principalmente perto dos joelhos. Maneirei um pouco, mas não esquentei muito a cabeça, pois desde o começo, sabia que não seria moleza, não.

Foi um alivio chegar lá em baixo do outro lado da serra, virar à esquerda sentido norte e pegar a estradinha mais ou menos plana. Nessa estradinha, foi onde eu curti mais a experiência de correr sozinho à noite, no meio do mato, ningém na minha frente e ninguém atraz, sem cruzar viva alma, apenas alguns alegres vagalumes esparsos, aqui e ali. Fantástico, uma experiencia singular, pois o campo de visão, se resumia apenas a uma pequena bolha de poucos metros que a lanterna conseguia iluminar e onde os únicos sons, fora o cri-cri dos matos, eram meus passos no chão de terra: plásh-plásh-plásh… Em alguns baixios onde o ar era mais frio, o ar quente que soprava da respiração, avivado pela lanterna de cabeça, explodia numa nuvem brilhante de vapor, que ofuscava parcialmente a minha visão.

Nesse trecho, olhei para cima e segui curtindo o céu que estava carregado de estrelas, exceto à minha esquerda onde se desenhava nitidamente, em negro, o paredão imponente e ameaçador da Serra dos Forjas. Arrepiei só de lembrar que teria que subir esse paredão tudo de novo, já não sei com quantos Km latejando nas pernas, nos pulmões e no lombo. Mas, catzo, tinha que fazer uma coisa de cada vez e resolvi que só iria me preocupar com a subida da serra, na hora que chegasse lá. Por isso, continuei na minha bolha de luz, plásh-plásh-plásh-plásh…, num sobe e desce, cheio de curvinhas.

De repente, cheguei numa bifurcação onde um rapaz do staf, de pé naquele ar gelado, sinalizou para que eu seguisse à esquerda, passando por uma porteira. Mais à frente, em uma subidinha começei a alcançar alguns corredores, mas notei que na verdade eles tinham errado o caminho e estavam voltando, entrando no mato imediatamente à minha esquerda, um atrás do outro como um trenzinho. Tinham errado, porque um que ia mais à frente gritava: “POR AQUI!!! É AQUI!!! TEM FITA AQUI!!!”. Alcançei os caras e juntos, começamos a cruzar o pasto seguindo a sinalização de fitas, que em alguns trechos sumia completamente para depois reaparecer lá na frente, aos pedaços, pendurado em algum galho de árvore. Na correria tropecei numa coisa que rasgou minha perna e seguiu arrastando, enroscada no cadarço do tênis. Pensei que fosse arame farpado, mas era apenas um galho cheio de espinhos. Tentei puxar, mas tinha espinhos demais e não havia jeito de pegar sem furar os dedos. Usei o boné como luva e arranquei o filho de uma égua. Olhei em volta mas nessa altura, os caras que estavam junto comigo, tinham se distanciado e agora eram apenas pequenos pontos de luz zigzagueando pelo costado do morro que era alto, muito alto. Joguei fora o galho espinhento, ajeitei o boné com as luzes e saí buscando o melhor caminho, mas procurando não pensar muito a respeito da altura do morro.

Não foi mole, não. O mato batia na cintura e não se podia ver exatamente onde se estava pisando. Por sorte, o pessoal que já tinha passado, tinha deixado o mato amassado em alguns pontos, que facilitava saber por onde ir, mas o caminho continuou muito difícil. Uma hora o pé afundava no mato e ficava firme, mas tinha hora que o pé escorregava para trás e como se estava com o corpo muito inclinado para frente, acabava caindo de cara no mato. Aarrg… a temperatura subiu e o suor começou a coçar, nos milhares de arranhões pelos braços e pernas. A subida acentuou mais ainda e fui obrigado a me agarrar nos matos para poder avançar, centímetro por centímetro. Puf, por duas vezes parei para tomar fôlego e quase caí para tras, batendo os braços igual a uma galinha tentando voar. Escalei a parte final quase de gatinhas, em zigzag, passando algumas pessoas, alcancei o topo, fiquei de pé, tomei ar e segui em frente sem ao menos olhar para tras.

De novo, no alto da Serra dos Forjas, a vista era espetacular. O vento frio e refrescante incentivou o pique em direção à descida que começava num trilho cheio de buracos e pedras. Segui nesse caminho até que finalmente cheguei na estradinha que serpenteava serra abaixo.

Ali, com o chão mais liso e firme, sem muitas surpresas, foi possível correr mais rápido um pouco, plá-plá-plá-plá… Agora à minha esquerda, lá em baixo, a cidade de Extrema brilhava e me confortava como se eu já estivesse chegando. Animado, lembrei que havia uma mesa de frutas frescas os esperando na chegada, mas, aos poucos a descida acentuou e começou a cobrar o seu preço. Frear na descida é muito desgastante, sem contar o cuidado para não escorregar e cair de bunda no chão. Segui na rotina…, Plá-plá-plá-plá…

Quando cheguei no PC 5, que tinha água e alimentos, passei reto sem parar. Tinha um Cabeano lá, que mesmo no escuro, reconheceu a minha camisa do CAB, mas não deu tempo de descobrir quem era. Adiante, um maluco sem lanterna me alcançou e corremos um bom tempo juntos até aparecer um outro, mais rápido, com lanterna e lá foram os dois galopando morro abaixo “paplá-paplá-paplá…” Entrei no asfalto e na parte iluminada passei por uma garota do Staf que me deu um banho de ânimo “VAMOS LÁ, FALTA POUCO” e apesar das dores nas pernas continuei descendo até começar a entrar na cidade. Passei pelo fotógrafo na subidinha, virei a esquerda na entrada da Rua Capitão Germano e iniciei o último trecho em subida, de uns 800 metros, que leva até a Praça da Igreja Matriz.

Quase perdi a concentração quando a subida apertou e senti o peso dos quilometros. Caminhei, corri, caminhei e voltei a correr, enquanto pensava na loucura que tinha feito: Vinte e dois mil e quinhentos metros de chão, à noite, transpondo a serra cheia de escaladas com pedras pontiagudas, galhos e espinhos cortantes, declives cheio de buracos, desnível de estalar os tímpanos, uma desgraceira sem fim, até que as luzes e os sons da linha de chegada surgiram à minha frente e aí sim, eu corri.

Corri como se tivesse começado a corrida naquele instante, ali atrás, na virada da esquina.

Corri, até pisar no tapete fofo da cronometragem, completando a mais dificil, infernal e espetacular corrida que já tive o prazer de participar.

Parabens a todos os corredores que completaram ou não, pessoal de apoio, organização e à população da cidade de Extrema que nos acolheu com muito carinho e atenção.

Essa foi de lascar.

joao faria

2ª Etapa do Circuito Brasileiro de Corridas de Montanha 2007

14 de Maio de 2007 @ 09:06 por Cleiton Heredia

Extrema – Minas Gerais – 12/05/2007

DA QUEBRADEIRA AO MILAGRE

Quarta corrida noturna de montanha em Extrema e a terceira que participava. Podemos dizer que já posso me considerar um veterano nesta prova, porém, de todas as outras vezes esta era a que eu mais estava ansioso. Conforme o dia se aproximava eu só conseguia pensar em Extrema. Cheguei até a criar uma Comunidade no Orkut sobre esta memorável corrida (CORRIDA DE MONTANHA EM EXTREMA), onde conversava com alguns corredores através dos fóruns que iam sendo criados.

Treinava com a cabeça lá nas trilhas de Extrema e conforme conseguia baixar meu tempo nas corridas de rua de 10 km e meia maratona, minha expectativa aumentava em relação a esta prova. Tudo que eu queria era baixar meu último tempo que foi de 3h46m no ano passado.

Chegou o dia tão esperado e lá fomos todos nós para mais um desafio; eu, meu filho Filipe de 15 anos, e o Odilon Pantera Negra (fera das montanhas: 3º lugar geral no ranking do circuito do ano passado e 3º lugar geral em Morretes este ano). A viagem foi rápida e divertidíssima com todas aquelas cômicas histórias contadas pelo Odilon.

Chegamos lá pelas 16:30h, pegamos nosso kit e fomos para o congresso técnico. Quero destacar aqui dois pontos que me chamaram a atenção e me encantaram:

1º) A camiseta: Simplesmente a mais linda de todas! A camiseta do ano passado foi muito bonita e eu achava que dificilmente seria superada, porém, mais uma vez o pessoal das Corridas de Montanha nos surpreendeu e conseguiu criar um design ainda mais impactante. Esse pessoal sabe realmente como encantar o cliente, pois conseguem captar o que vai na alma de um corredor de montanha: “Orgulho por ser um Corredor de Montanhas”. Esta camiseta é daquelas que gostamos de desfilar de peito erguido em ocasiões especiais, pois é uma peça digna de ser guardada em lugar de destaque na nossa coleção. Parabéns!

2º) O congresso técnico: Foi muito bom recebermos todas aquelas informações da prova na forma de Congresso Técnico. Isto fez com que todos entendessem a seriedade com que são tratadas as Corridas de Montanha e trouxe para o evento um charme todo especial. Mais uma vez parabéns!

Terminado o congresso, fomos nos trocar e nos preparar para a largada, que foi dada as 18 horas. Este ano a novidade ficou no desfile inicial de 1 km que fizemos pela cidade com direito até a carro madrinha. A idéia foi muito boa, pois além de divulgar melhor o evento pela cidade, dá uma oportunidade para os familiares e amigos que acompanham os corredores os verem passar mais uma vez pela largada.

Terminada nossa exibição com toda pompa e circunstância, lá fomos nós mais uma vez nos transformarmos em heróis solitários de nós mesmos em meio à escuridão sem fim. Só que desta vez eu não podia imaginar que estava indo em direção a uma das minhas mais dramáticas experiências que nem em meus piores pesadelos havia enfrentado.

Os primeiros 12 kms de prova transcorreram sem qualquer novidade. Eu já conhecia bem o caminho e procurei avançar por ele o mais rápido que minhas forças permitiam. Estava tão determinado a alcançar meu objetivo que desprezei alguns postos de água e no posto de alimentação nem sequer virei o rosto para ver o que tinha lá. Estava levando comigo uma garrafa de 500 ml de água e 3 saches de carboidrato em gel, e acreditava que aquilo era tudo de que eu precisaria durante a prova. Este foi meu terceiro e mais grave erro.

O primeiro erro foi me alimentar e me hidratar precariamente durante o dia da prova, e o segundo foi não ter treinado nenhum longão com mais de 2 horas. Meus treinos foram todos abaixo de 25 kms em asfalto, mas num ritmo bem forte de forma que não duravam mais que duas horas. Erro infantil, mas fatal! Eu superestimei minha preparação achando que rodar no asfalto me daria plenas condições de fazer a mesma quilometragem em trilhas pesadíssimas, e desta forma subestimei a montanha.

Entrando no km 13 com mais de 1 hora e meia de prova já sentia fortes dores na perna, conseqüência não só do enorme esforço despendido até ali, mas também de um tombo que levei na subida da serra onde machuquei a coxa esquerda e o joelho direito. Mas ainda estava confiante só pensando no pasto da morte e na subida do desespero, pois sabia que seria ali que o bicho iria pegar, mas sinceramente nunca da maneira como pegou.

Estava tão concentrado no foco de luz a minha frente que quando me dei por mim já estava no meio do pasto. Tentei olhar ao redor para ver se me lembrava de algo familiar, mas nada. Parecia que eu nunca havia estado naquele lugar antes. A minha frente e nas minhas costas podia avistar as lanternas de outros corredores seguindo pelo mesmo caminho.

- “Bem, pelo menos não estou no caminho errado”, pensei comigo mesmo. Nem deu tempo para completar o pensamento e comecei ouvir uns gritos um pouco mais abaixo:
- “Não é por aí!”
- “Este é o caminho errado, voltem!”
Olhei mais acima e vi outros focos de luz bem distantes, e raciocinei que aquele era um grupo que havia se perdido.

Continuei prosseguindo e tentando entender o que estava acontecendo, quando vi várias luzes de lanternas descendo em minha direção. Exatamente o que mais temíamos havia acontecido; entramos no caminho errado. Naquele trecho as fitas que indicavam uma curva no pasto à direita foram arrancadas e passamos batido. Voltamos e encontramos novamente as fitas que indicavam o caminho certo, porém confesso que psicologicamente aquilo me abalou bastante.

A mais tenebrosa subida de toda prova não demorou a chegar, e ao começar subi-la foi que comecei a perceber o quanto estava cansado, com frio e com minhas forças minguando rapidamente. Tentei parar alguns segundos para recuperar as forças com alguns goles de gel e água, quando percebi que eles já haviam acabado. Olhei para cima e podia ver numa distância que para mim parecia absurda, as luzinhas das lanternas que pareciam se confundir com o lindo céu estrelado.

Tentei insistir e continuar avançando, apenas para perceber após um esforço sobre-humano que tinha progredido não mais que alguns poucos metros. Era frustrante! Era desesperador! Era assustador!

Foi neste momento mais crítico da prova que deitei na grama gelada e molhada pelo orvalho e fiz algo que nunca imaginava que faria numa corrida: “entreguei os pontos”. Sentia-me tão extenuado que não pude evitar que pensamentos terrivelmente negativistas se apossassem de minha mente:
- “Acabou! Não vou conseguir! Chega!”

Acabado física e psicologicamente nada me restava a não ser ficar ali e esperar ser encontrado por alguém do resgate. Mas como? Ali naquela pirambeira será que aparecia alguém? Quando tempo teria que ficar ali fraco, molhado e congelando mais e mais a cada segundo? Comecei a pensar na minha família, minha esposa, meus filhos e temi não sair dali com vida. Para alguns pode parecer ridículo este tipo de pensamento numa corrida onde muitos estavam rindo e se divertindo, mas é interessante como nossa mente pode ser afetada quando você se encontra no limite de suas forças e tendo ainda pela frente um obstáculo considerado intransponível.

Ao meu lado vi passar uma enorme aranha, mas não senti qualquer medo; pelo contrário, olhei para ela e a considerei como uma companheira naquele fim de mundo. Até que era uma aranhazinha bem simpática, mas ela nem deu bola para mim e logo desapareceu no meio do mato me deixando novamente sozinho.

O tempo ia passando e o frio aumentando. Conforme a pulsação ia caindo, comecei a temer por uma hipotermia. E foi neste momento que comecei a olhar para aquele lindo céu estrelado e orar. Meu pedido foi simples e objetivo: “Senhor preciso de um milagre! Dê-me as forças que preciso para sair daqui e chegar ao mais próximo local seguro”.

Mal havia acabado de fazer meu pedido, o milagre aconteceu! Um corredor me viu ali jogado no mato e perguntou-me se gostaria de uma barrinha energética. Eu estava faminto e prontamente aceitei. Agradeci e devorei aquela barrinha. Com a glicose proveniente daquele alimento circulando pelo meu sangue, minha mente começou a se desanuviar e a esperança brotou. Levantei-me e resolvi continuar. Ainda avançava com EXTREMA dificuldade, mas só que desta vez resolvi adotar uma tática diferente. Comecei a avançar subindo dez pequenos passos de cada vez. Meu objetivo naquele momento havia mudado. Não era mais subir aquela montanha, muito menos terminar a prova, mas apenas subir dez pequenos passos. Após conseguir da-los, não pensava na montanha a minha frente, mas apenas em dar somente mais dez pequenos passos. Quando percebi que não conseguia mais dar dez passos consecutivos, mudei para cinco pequenos passos, e assim fui até o topo, superando uma pequena etapa de cada vez.

Permitam-me abrir aqui um pequeno parêntese para lhes revelar o que estava pensando enquanto subia. Eu comecei a meditar sobre a maneira como os milagres divinos se processam em nossa vida. Eu havia pedido a Deus por um milagre que se resumia em ter forças para avançar. Muitos acham que milagre para ser considerado um milagre deve ser algo tremendamente sobrenatural, do tipo de um raio no estilo “SHAZAM” caindo sobre minha cabeça e enchendo-me de uma vitalidade mágica, fazendo-me gritar como um HE-MAN: “Eu tenho a força!”. Se eu estivesse esperando por um milagre deste tipo é bem provável que estaria lá naquela montanha até agora. Nada de raio ou força mágica, mas simplesmente um gesto de solidariedade de alguém que naquele momento movido de compaixão, repartiu o pouco que tinha (talvez tudo) e fez o milagre tão esperado acontecer. É desta maneira que Deus quer operar a cada dia vários milagres em nossas vidas, porém às vezes estamos tão limitados a só querer enxergar raios e poderes sobrenaturais que deixamos de perceber os verdadeiros milagres acontecendo em nossa volta. Assim como aquele corredor amigo foi o milagre que Deus enviou em resposta a minha súplica, assim também podemos nos transformar em milagres enviados por Deus em respostas as súplicas de um mundo carente por amor, atenção, sorrisos, carinho, gestos de cortesia e outras coisas que para nós pode não custar tanto, mas que para outros pode ser a diferença entre continuar avançando nesta vida ou simplesmente parar e desistir de tudo. Outra coisa que pensei ali enquanto subia foi que alguns milagres quando acontecem não nos exime do esforço pessoal, pois Deus não fará por nós aquilo já nos habilitou a fazermos por nós mesmos. Fecho aqui o parêntese.

Uma vez novamente no topo, restava descer pela mesma trilha que subimos a princípio. Já havia transcorrido quase 3 horas e meia de prova e ainda faltavam 6 kms para o final. Minhas pretensões de melhorar meu tempo foram substituídas pelo único desejo de somente conseguir terminar a prova. Desci lentamente a trilha com fortes dores nas pernas e sentindo minhas reservas energéticas mais uma vez se extinguirem (a energia daquela barrinha foi o suficiente para subir, mas não seria o suficiente para descer e terminar).

No meio da descida, encontrei um rapaz de roupa camuflada juntamente com uma garota que faziam parte do staff da prova. Não estava agüentando prosseguir e resolvi sentar ali mesmo. Ele ofereceu-me algumas barrinhas energéticas, bananinha, sache de leite moça e água, de forma que, após este banquete, senti novamente minhas forças voltarem e a disposição de terminar aquilo que comecei.

O fim daquela descida interminável foi um alívio para as pernas que já não estavam agüentando mais. Continuei pelo asfalto nos quilômetros finais intercalando trote com caminhada até chegar à derradeira subida que levava até a linha de chegada. Nem podia acreditar que há uma hora atrás estava decidido em desistir e agora estava a pouco menos de 1 km da chegada. Tal pensamento me animou a subir trotando e nos últimos 100 metros resolvi reunir todas as últimas forças que ainda restavam e dar um tiro em direção à linha de chegada.

A emoção de ter finalmente concluído aquele desafio unido ao desgaste inconseqüente de terminar a prova forçando além do limite, fez com que eu desabasse logo após cruzar a linha de chegada. Fui atendido atenciosamente pela equipe da ambulância de plantão e alguns minutos depois já estava em pé feliz da vida vendo orgulhosamente meu filho Filipe subir ao podium e ganhar seu primeiro troféu.

Foi realmente uma corrida inesquecível onde aprendi preciosas lições que levarei comigo por toda minha vida.

Bem, a próxima etapa será em São Sebastião no Campeonato Brasileiro de Corridas de Montanha e tudo que sei é que será uma nova corrida onde viveremos mais algumas emoções inéditas. É isto que me cativa nas corridas de montanha: Não importa quantas vezes já tenhamos participado de uma determinada prova, pois a seguinte nunca será igual a anterior.

É isto aí montanheiros, um forte abraço e bons treinos.

Cleiton Heredia
Mountain Runner
No Pain No Gain

1ª Etapa do Circuito Brasileiro de Corridas de Montanha 2007

27 de Março de 2007 @ 12:15 por Cleiton Heredia

Morretes – Paraná – 25/03/2007

Para aqueles que pensam que corredores de montanha só vivem aventuras quando estão correndo por entre trilhas escabrosas nas montanhas, quero começar o relato desta aventura um dia antes, quando, às 10:30 da manhã, entramos num ônibus fretado pela equipe da Perphil para irmos em direção à cidade de Morretes no estado do Paraná.

Quando se fala de uma viagem de ônibus com duração de mais de 7 horas num dia quente e abafado por uma estrada sofrível como é a BR116, muito já imaginam que não pode haver nada mais entediante e monótono. Porém, quando se coloca dentro deste ônibus um bando de malucos alucinados por correr e indo em direção ao seu habitat natural entre as montanhas, tudo fica muito diferente.

Até que foi uma viagem bem divertida, repleta de cantorias, besteiras hilariantes, com muitas histórias e piadinhas de corredor, onde nem mesmo os momentos angustiantes e tensos quando passamos ao passar ao lado de um caminhão em chamas, conseguiram quebrar o clima de total descontração.

Umas duas horas antes do sol se pôr, estávamos adentrando na aprazível cidadezinha de Morretes, e nos acomodando num hotel de nome tão estranho quanto o da cidade: “Pousada Nhundiaquara”. A placa do lado de fora dizia: “Este é o prédio mais antigo da cidade”. Pois é, passaríamos todos “Uma noite no museu”. As instalações eram simples, mas adequadas, porém a localização era privilegiada, especialmente pelo belo rio que passava ao lado.

Caindo a noite, um pouco antes de jantarmos, tivermos uma reunião com o pessoal da organização, onde recebemos orientações sobre a prova (briefing), inclusive com o fatídico detalhe que as trilhas poderiam ocultar cobras venenosas (alguns belos exemplares de cobras corais, jararacas e cascavéis). Daí para frente o assunto “cobras” passou ser a pauta mais freqüente em todas as nossas conversas, e entre uma piadinha aqui e outra lá, podíamos sentir uma atmosfera de real preocupação pairando no ar. E foi com todas estas informações em nossas cabeças que fomos dormir e sonhar com gordas e compridas cobras de dentes bem afiados cheios de letal veneno em suas mandíbulas prontas para dar o bote em nossas atrativas e desprotegidas canelas (preferiria ter sonhado com o Freddy Krooger).

O dia amanheceu e logo após um simpático desjejum, lá fomos todos nós para o nosso principal destino: o Recanto Cascatinha às margens do Rio Marumbi e aos pés do morro de mesmo nome, onde seria dada a largada da 1ª Etapa do Circuito Brasileiro de Corridas de Montanha. Em nossas cabeças de destemidos e intrépidos corredores de montanha tínhamos todos um só pensamento: “COBRAS!!!!”. Nem mesmo o paradisíaco cenário do Recanto com tudo que a natureza tem de mais belo, conseguiu evitar com que todos andássemos pelos arredores sempre olhando para o chão desconfiados.

A largada foi dada com trinta minutos de atraso, e como já era de se esperar a chiadeira foi geral. Se ainda o atraso tivesse acontecido para que o pessoal da organização pudesse ter tempo para limpar as trilhas das cobras, tudo bem! Mas que nada! Pelo que fiquei sabendo, o atraso aconteceu simplesmente porque alguns corredores ainda não tinham chegado (lamentável).

Bem, aqui quero abrir um parêntese para fazer um comentário pessoal:

Quando fiquei sabendo do intercâmbio que o Circuito Brasileiro estaria fazendo com o Circuito Paranaense, de forma que a 1ª etapa nossa coincidisse com a 2ª deles, achei uma brilhante idéia. Eu acreditava que esta junção poderia fortalecer ainda mais as Corridas de Montanha no Brasil, mas infelizmente não foi o que aconteceu. Não quero aqui depreciar o Circuito Paranaense, pelo contrário, quero até elogiar a iniciativa de seus organizadores por estarem batalhando em seu estado pelo estabelecimento das Corridas de Montanha. O grande problema é que o Circuito Brasileiro já adquiriu um padrão de organização em provas que o Circuito Paranaense ainda esta no caminho por adquirir, e quando unimos os participantes de cá com os de lá, este desnível organizacional acaba chateando (e com razão) alguns.

Deixe-me explicar um pouco melhor através de uma simples ilustração: Imaginem vocês que o Fábio Galvão costume periodicamente a promover festas em sua mansão com piscina. Suas festas são sempre muito bem planejadas e organizadas, contando com muitos garçons, mestres de cerimônias, faxineiros, copeiros, e demais ajudantes contratados de todos os tipos. Ele sempre convida a muitas pessoas e, como suas festas são muito boas, ninguém gosta de faltar. Um belo dia o Fábio encontra com o Cleiton e descobre que ele também gosta de festas. Como existe uma afinidade de interesses festivos, uma amizade nasce ali, de forma que o Fábio acaba combinando com o Cleiton deles fazerem a primeira festa do próximo ano juntos. A data é marcada, os convites são enviados, e o local é definido: a festa será na casa do Cleiton. Acontece que o Cleiton, apesar de gostar muito de festas, não está acostumado com grande número de convidados, e por isto não tem uma estrutura profissional, mas conta apenas com a sua família que com a maior boa vontade e sacrifício procura servir da melhor forma possível os convidados. Bem, como vocês acham que irão se sentir os convidados do Fábio quando forem recepcionados na casa do Cleiton? Por mais boa vontade que a família do Cleiton tenha em dar a todos convidados uma boa festa, os convidados acostumados às festas promovidas pelo Fábio não irão se sentir bem tratados, pois estão acostumados com um outro padrão.

Vejam bem, o que eu estou tentando dizer é que, como a 2ª etapa do Circuito Paranaense de Corridas de Montanha o evento pode até ter sido satisfatório, mas como a 1ª etapa do Circuito Brasileiro de Corridas de Montanha o evento ficou muito abaixo do padrão das corridas anteriores. Espero que os nossos amigos do Paraná não fiquem chateados comigo, pois não estou querendo depreciá-los dizendo que as Corridas do Circuito Brasileiro são melhores que as do Circuito Paranaense. A questão aqui não é competição entre os circuitos para ver quem é melhor, mas sim esforço conjunto onde os que estão em melhores condições ajudam aqueles que não estão, para que com isso a corrida de montanha no Brasil ganhe sempre. Vocês (do Paraná) estão no caminho certo, porém no início dele, e terão ainda uma boa distância a percorrer. Mas não desanimem, pois quem participou das primeiras provas do Circuito Brasileiro, sabe que não se pode comparar a aquilo que é hoje. Quem dera que no Brasil tivéssemos mais pessoas como vocês, interessadas e empenhadas a fazer das corridas de montanha uma realidade em seu estado. É para isto que nós corredores de montanha estamos torcendo, e por este motivo que valorizamos tanto todo o esforço do pessoal do Paraná, desejando que eles continuem se aprimorando e crescendo a cada temporada mais e mais.

E já que estamos falando em aprimoramento do padrão de qualidade nas corridas de montanha, os pontos que nós corredores valorizamos são:

- Pontualidade nos eventos;
- Parcerias interessantes que beneficiem o corredor (brindes e sorteios);
- Mídias de comunicação para cobrir o evento (o atleta patrocinado vive disto);
- Infra-estrutura (banheiros com papel, vestiário, guarda-volumes, trilhas sinalizadas);
- Pessoal de apoio (segurança, primeiros-socorros, resgate, fiscais, orientadores);
- Cronometragem por chip;
- Pontos de hidratação abastecidos adequadamente e distribuídos de forma inteligente;
- Camiseta e medalha alusivas ao evento;
- Cerimonial de Premiação com toda dignidade que os corredores merecem;
- Divulgação ágil e precisa dos resultados e das fotos;
- E por último, porém como o básico e mais importante item: uma trilha bem louca, cheia de obstáculos, com rios para atravessar, paredões para escalar, descidões para voar, e com desafios mil para encarar (as cobras e outros bichinhos peçonhentos são dispensáveis).

Vamos aqui fechar o parêntese e voltar para a corrida em Morretes.

Gostei muito da trilha, mas considero seu nível de dificuldade de médio. Não foi tão fácil como Pardinho, mas também não foi tão difícil como São Sebastião ou Paranapiacaba. Não vou mencionar Extrema porque aí é covardia. A trilha noturna em Extrema é a elite (a nº1) de todas as corridas de montanha das quais já participei. Só quem já participou pode entender o que estou falando.

Corri o tempo todo preocupado com as cobras, mas minha preocupação era mais com meu filho que vinha atrás, e que fazia sua primeira corrida de montanha, do que comigo mesmo. Ao cruzar a linha de chegada colocaram uma medalha no meu pescoço, mas nem parei para apreciá-la. Imediatamente fiz meia volta e voltei para ver se meu filho estava bem. Lá pelo km.9 pude então respirar mais aliviado. Lá vinha ele todo feliz da vida avançando forte pela trilha para orgulho do pai coruja. Seguimos juntos para a chegada, e num sprint final o ingrato filho acabou deixando para traz seu velho e cansado pai (o ingrato é brincadeirinha, mas o velho e cansado é verdade).

Só então eu fui parar para apreciar minha merecida medalha. Achei que estava com problemas de visão em razão do esforço, pois minha mente recusava-se a entender aquilo que meus olhos liam: “1ª Etapa Colombo – 10/02/2007 – 10 km”!

Pirei!
- Onde estou? Que dia é hoje? Quem sou eu?

Ainda bem que tinha aquele riozinho com água geladinha para todos darmos uma boa relaxada e esfriarmos a cabeça.

Eu já falei em relato anterior que depois de correr uma boa trilha, se, ao invés de uma medalha, me derem uma pedra como prêmio de participação, eu já ficaria feliz. Mas calma lá! Não escrevam nesta pedra uma coisa que não é, pois aí todo o simbolismo daquele objeto acaba se transformando em nada.

Bem, mas de qualquer forma, o mais importante é que o Circuito Brasileiro de Corridas de Montanha 2007 já começou, e o negócio é seguir adiante aprendendo com os erros cometidos e esforçando-se para não repeti-los, porque EXTREMA VEM AÍ!!!!

Um forte abraço,

Cleiton Heredia
Mountain Runner
No Pain No Gain

SAIU A TEMPORADA 2007!!!!!!!!!!!!!!!

2 de Fevereiro de 2007 @ 08:18 por Cleiton Heredia

Salve amigos corredores das montanhas!!!

O Fábio prometeu e cumpriu!!!

Foi uma emoção muito grande, após semanas de expectativa, poder acessar a página do site oficial de Corridas de montanha e finalmente encontrar ali as informações pelas quais ansiávamos, a saber, a temporada 2007 do Circuito Brasileiro de Corridas de Montanha em sua 4ª edição.

Maluco, o calendário está simplesmente fantástico! O Fábio e sua competente equipe realmente se superaram nos presenteando com lugares tão diversificados e maravilhosos: Morretes/PR, Extrema/MG, São Sebastião/SP, Garopaba/SC e Paranapiacaba/SP. Estas cinco etapas inter-estaduais são o sonho de todo corredor de montanha que é apaixonado pelo esporte exatamente pelos novos e constantes desafios que ele apresenta.

Outra coisa muito legal e digna de mais elogios, foi a integração que o Circuito Brasileiro de Corridas de Montanha está fazendo com o Circuito Paranaense, de forma que a nossa 1ª etapa estará coincidindo com a 2ª etapa deles. A divulgação de um calendário unificado, inclusive indicando as datas do campeonato sul-americano e mundial é algo que será muito útil para o fortalecimento da modalidade no Brasil.

Está mais do que certo de que a Corrida de Montanha chegou no Brasil para ficar e crescer muito. Temos tudo para isto: recursos naturais com desafios que sobram, competentes profissionais verdadeiramente comprometidos com o esporte como a equipe do Fábio Galvão, atletas profissionais de excelente nível, e corredores amadores como a grande maioria na qual me incluo, que nada verdade nada mais são do que malucos apaixonados pela emoção de se correr numa montanha.

A equipe “Corridas de Montanha” está de parabéns pela maneira tão profissional e competente com a qual está fazendo deste esporte no Brasil, sinônimo de desafios e fortes emoções.

Um forte abraço,

Cleiton Heredia
Mountain Runner, No pain No Gain

RESULTADOS CROSS MAIRIPORÃ

18 de Setembro de 2006 @ 20:14 por guilherme

1a. Corrida Cross Country do Instituto Mairiporã

RESULTADO GERAL

RESULTADO CATEGORIAS

RESULTADOS CROSSCOUNTRY MAGICCITY 2006

5 de Setembro de 2006 @ 16:25 por Fábio Galvão Borges

Cross Country MagicCity 2006

CLASSIFICAÇÃO GERAL

CLASSIFICAÇÃO POR CATEGORIAS

CAMPEONATO SULAMERICANO DE CORRIDAS DE MONTANHA

16 de Agosto de 2006 @ 11:10 por Fábio Galvão Borges

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Amigos,

A primeira delegação Brasileira de Corridas de Montanha estará embarcando amanhã (quinta feira) para a cidade de Tuja na Colombia para seu primeiro desafio internacional.

A delegação é formada por Fernando Ananias, Luzia Aluízio e este que lhes escreve.

Estamos todos muito anciosos para a prova que terá um percurso de 7,5 Km pelas ruas e avenidas de Tuja até o Morro SAN LAZARO.

Deixe aqui o seu recado para o Fernando e a Luzia.

Abraço

Fábio Galvão Borges
Corridas de Motanha

Bem Vindos !

16 de Agosto de 2006 @ 10:42 por Fábio Galvão Borges

Olá amigos,

Este espaço é seu para facilitar a troca de informações entre todos corredores de montanha do Brasil.

Para postar artigos e fotos basta se cadastrar.

Aproveite !!!

Fábio Galvão Borges
Corridas de Montanha